segunda-feira, 15 de março de 2010

Imigrante

Ser imigrante é também ser emigrante. É estar longe da família, dos amigos, dos costumes, da língua, da vida que se conhece. E isso deve custar muito. São imigrantes de Portugal, mas emigrantes do Brasil, da China, da Roménia ou da Bulgária.

Umas histórias acabam bem, mas outras acabam mal, e não têm o sucesso ou a alegria de outras. As saudades matam quando se está longe. E às vezes os obstáculos são tantos que desistir é a única opção.

Conhecemos os obstáculos por que passam para conseguir casa – que só conseguem se tiverem contrato de trabalho; para conseguir trabalho – que só conseguem se estiverem legais no país; mas para estarem legais no país precisam de contrato de trabalho. Como é que é possível algo tão contraditório?

Depois, vêm para um país, que aparenta ser melhor do que o de origem e além dos obstáculos já enunciados, vêm-se com uma nova língua, com pessoas com hábitos diferentes, com comportamentos racistas e xenófobos por parte dos habitantes do país ‘receptor’, e ainda com a verdade mais incomodativa, que é a de que o objectivo de poupar é uma verdade falseada, pois o que ganham torna-se pouco para viverem com o mínimo de condições necessárias, e acabam por se arrastar até conseguir poupar algo (se optarem por ter uma vida digna antes de poupar), ou acabam por viver em condições pouco humanas (se optarem por poupar acima de tudo).

E o que nos custa, é saber o quão verdade isto é.

Mas será que se faz algo para mudar tudo isto? A resposta, se quisermos ser correctos, terá de ser sim, pois existem boas políticas de inclusão, existem boas políticas de protecção e acompanhamento de imigrantes, mas o que se apraz perguntar é se essas medidas, e reconhecendo que são boas, serão suficientes. Serão?

Há que pensar nestas pessoas. Nestas famílias que cá se constituem. Nas suas oportunidades, nos seus sonhos e nas suas vidas. Há que protegê-los e não atacá-los, pois são, reconhecidamente, uma parte importante para nós a vários níveis.

Ser imigrante, é assim, ser alguém num sítio desconhecido, num sítio que muitas vezes – na maioria das vezes – não os quer receber e reconhecer como pessoas; é ter de lidar com o preconceito, com a indiferença, com a maldade. Ser imigrante, não nos esqueçamos nós, é também ser emigrante, algo que está na nossa identidade de portugueses.

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